sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Rapidinha...

Há alguns poucos dias, quando entrei no metrô, presenciei uma conversa sui generis.

Dois cariocas do tipo "maluco" (NOTA: aquele tipo jovem, com mais de 20 anos, cuja expressão de interjeição mais comum é - "Caralho, maluco!". Tipo muito comum por aqui.) estavam em pé no metrô, obviamente voltando do trabalho, pois trajavam uniformes de empresa sujos.

Eles mantinham uma conversa em tom bem alterado, isso não significa que estavam brigando, apenas o tom normal do carioca conversar. Depois de me mudar para cá descobri um quarto volume possível: baixo, alto, Gabriella e Carioca...

Bem, entrei no vagão, que estava praticamente vazio, e sentei próximo aos dois mancebos. A conversa estava nesse pé:

Rapaz 1: - Caralho, maluco! Você não sabe? Judas CARIOCA foi o apóstolo que MATOU Jesus Cristo!
Rapaz 2: - Como ele virou SANTO, então?
Rapaz 1: - Bicho, ele matou Jesus! Depois se arrependeu, pediu perdão e virou SÃO JUDAS!!!!!!!
Momento de silêncio (Deles, claro! Porque a essa altura da conversa eu já tinha me mijado de tanto rir!)
Rapaz 2: - Caralho, maluco! Será que quem nasce no Rio é CARIOCA por causa do Judas CARIOCA?
Rapaz 1: - Num sei bicho, será que é?

Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!! O trem do metrô chegou na Estação e eu tive que descer, não ouvi o fim da conversa.

Vamos lá:

Em aproximadamente 5 minutos esses dois rapazes reescreveram mais de 2000 anos de história.

Pai do céu!! Mudaram o nome de Judas, que de traidor, passou a assassino de Jesus Cristo e CARIOCA. Não satisfeitos, absolveram o grande pecador e transformaram o cara em Santo (que covardia com São Judas Tadeu). Para colocar a cereja no bolo, chegaram a conclusão (que não me causou qualquer espanto) de que os cariocas descendem de alguma forma de JUDAS.

Ha ha ha... Gente, isso foi mais divertido que o Leandro Hassum fazendo stand up, principalmente porque não era um texto e saber que eles realmente acreditavam no que falavam torna toda a cena absurdamente hilária.

Até breve! Que São Judas, o arrependido assassino carioca zele pelo bem estar de todos vocês!


segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Hoje fui de táxi para o trabalho...

Saí atrasada, como sempre, sem o menor saco para pegar metrô, andar no sol e ainda ter que ouvir uma bronca do mendigo que fica na porta da estação rogando praga para quem não dá dinheiro a ele. Todo mundo aqui me paga sapo, até o mendigo!

Já entrei no táxi me prevenindo de um carão, antes mesmo de dizer o destino perguntei se ele tinha troco para cinquenta, pois da última vez que peguei um táxi com somente uma nota de cinquenta na bolsa, quase apanhei do taxista porque ELE não tinha troco.

Mas vamos voltar ao assunto. Entrei no táxi, um Santana. ODEIO Santanas, sempre estão caindo aos pedaços, sempre são fedidos e rasgados por dentro, o ar condicionado nunca está ligado e o taxímetro sempre está adulterado (alerta aos visitantes do Rio de Janeiro: Não peguem o táxi se for Santana, espere passar outro, não leva mais do que cinco segundos, tem mais táxi aqui do que gente).

O rádio estava ligado em um volume incomodo, tive oportunidade de ouvir o final de “Erguei as mãos e dai glória a Deus...” na voz de padre Marcelo, que beleza! Logo entrou o locutor com as notícias do dia: “O número de mortos nas enchentes da Região Serrana já somam mais de 500...”. Gente, desculpem-me! Muito triste tudo isso que está acontecendo na região Serrana do Rio e também em São Paulo e Minas, mas não tem outro assunto não? Ninguém foi assaltado, nenhum assassinato, nenhum político roubando, não tem outra desgraça acontecendo no Rio?

Por favor, são as duas únicas notícias que ouço no jornal local, ou é a enchente ou o transexual do BBB11.

Pois bem, findas as notícias (ou a notícia, porque em minha humilde interpretação é uma notícia só todo o tempo) voltamos à música. Estava distraída e só percebi que a música tocava depois de um tempo, quando já era chegado o momento do refrão. Quando me dei conta estava sentindo uma saudade danada!

Saudade de um tempo em que R$ 20,00 eram suficientes para garantir um porre em plena quarta-feira, que meio tanque do Golzinho me levava a Unaí, que uma ligação de madrugada significava um monte de amigos embriagados querendo me dizer “Nós te amamos!”, que eu ia para a Granja do Torto às cinco da tarde para não ter que pagar a entrada do show às onze da noite, que um vale alimentação garantia o fim de noite, que as opções para a janta eram macarrão com salsicha ou arroz com calabresa, que eu era “procurada” pela polícia, que eu passava o domingo fazendo arroz com carne aproveitada do churrasco de sábado, que meu grande dilema da noite era se ela ia terminar no Gates, no Gama ou em Goiânia...

Saudade de chamar o amigo não fumante para fumar comigo no corredor, de ouvir no telefone um “Cai prá cá!”, de almoçar x-picanha do Fabinho, de morrer de rir dizendo “É mentira, Buchecha!!!”, de dançar forró até dar dor de veado, de cantar música sertaneja de olhinho fechado no final da festa, de ser chamada de banda podre, de dizer: “Eu não quero parar de beber nunca mais...”, de tirar um cochilo no Anf. 09, de jogar videogame e dominó no CA, da chácara do Netão (da do Paulo também), dos churrascos na casa da Flavia, de ver todo mundo todo dia...
Saudade de simplesmente sentar no banco e esperar alguém chegar...
Despeço-me com a letra da música que eu ouvi hoje de manhã no Santana:

Hoje eu acordei
Com saudades de você
Beijei aquela foto
Que você me ofertou
Sentei naquele banco
Da pracinha só porque
Foi lá que começou
O nosso amor...

Senti que os passarinhos
Todos me reconheceram
E eles entenderam
Toda minha solidão
Ficaram tão tristonhos
E até emudeceram
Aí então eu fiz esta canção...

A mesma praça, o mesmo banco
As mesmas flores, o mesmo jardim
Tudo é igual, mas estou triste
Porque não tenho você
Perto de mim...

Beijei aquela árvore
Tão linda onde eu
Com o meu canivete
Um coração eu desenhei
Escrevi no coração
Meu nome junto ao seu
Ser seu grande amor
Então jurei...

O guarda ainda é o mesmo
Que um dia me pegou
Roubando uma rosa amarela
Prá você
Ainda tem balanço
Tem gangorra meu amor
Crianças que não param
De correr...

A mesma praça, o mesmo banco
As mesmas flores, o mesmo jardim
Tudo é igual, mas estou triste
Porque não tenho você
Perto de mim...

Aquele bom velhinho
Pipoqueiro foi quem viu
Quando envergonhado
De namoro eu lhe falei
Ainda é o mesmo sorveteiro
Que assistiu
Ao primeiro beijo
Que eu lhe dei...

A gente vai crescendo
Vai crescendo
E o tempo passa
E nunca esquece a felicidade
Que encontrou
Sempre eu vou lembrar
Do nosso banco lá da praça
Foi lá que começou
O nosso amor...

A mesma praça, o mesmo banco
As mesmas flores, o mesmo jardim
Tudo é igual, mas estou triste
Porque não tenho você
Perto de mim...

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Feliz 2011!

É muito bom quando nós iniciamos bem o ano!

Vejam só que história interessante. Moro no Rio de Janeiro, cidade maravilhosa... Há 3 meses contratei uma senhorita para trabalhar como empregada doméstica. Ela não corresponde às minhas expectativas, mas dadas as circunstâncias e as necessidades eu resolvi dar a ela uma chance.

Infelizmente, minha funcionária tem um filho pequeno de aproximadamente 1 ano que vivia doente. Uma pena, tão jovem e era acometido por graves pneumonias que o levaram à internação por mais de uma vez e consequentemente à ausência de minha funcionária do serviço.

Procurava ser compreensiva e tentar entender o desespero de uma mãe ao ver seu filho doente internado em estado muito grave, mesmo não tendo meus próprios filhos.

No entanto, algo me incomodava. Pois as doenças que acometiam a criança eram sempre repentinas e a funcionária nunca ligava para informar a ausência, ela simplesmente não aparecia.

Uma semana antes do dia 31 a empregada manifestou seu imenso desejo de presenciar a festa de Ano Novo de Copacabana (vale informa-los nesse momento que ela não é nativa desse magnífico Estado, ela é paraibana).

Comovida com sua falta de recursos para chegar à praia de Copacabana no dia da festa, lembrei-me que eu havia comprado bilhetes a mais do metrô (que opera em horários diferenciados nessa época do ano para transporte de passageiros com destino à festa) e prontamente presenteei minha funcionária com dois bilhetes do metrô para o Ano Novo (um para ela outro para o marido - a criança não precisa de bilhete).

Infelizmente na quinta-feira dia 30 de Dezembro ela não compareceu ao serviço e como de costume não ligou para avisar. A tarde entrei em contato e fiquei sabendo da triste notícia: seu filho estava mais uma vez com pneumonia e ficaria internado por 10 dias. Olha só que situação triste, gente! Além de perder a festa de Ano Novo em Copacabana, a pequena trabalhadora passaria a noite de reveillon no hospital acompanhando o pobre filho doente e, logicamente, não poderia vir trabalhar durante esse período.

Estava com visita em casa, trabalhando muito e a sujeira ia se acumulando na pia e em toda casa. Dessa vez não consegui ser tão boa e permissiva com minha funcionária. Botei de lado a bondade de meu coração, e cega pela fúria pedi que ela comparecesse a minha residência assim que o filho recebesse alta, pois precisávamos conversar. Sim, queridos, eu decidi demiti-la!!!

Assumo que estava preocupada e com remorso por demitir minha empregada justamente com o filho doente. Me questionei até mesmo se isso era ilegal, contra as leis trabalhistas. Fiquei tensa!

Na sexta-feira (31/12/2010) me despi de preocupação em relação a este e qualquer outro assunto que me atormentava e decidi curtir a virada com minha família na praia de Copacabana.

Aqui cabe um a parte: a praia de Copacabana na virada do ano é um lugar único! Segundo informações da prefeitura são mais de 2 milhões de pessoas presentes. Vocês conseguem imaginar o que são 2 milhões de pessoas compartilhando o mesmo chão? Para aqueles que nunca presenciaram tal situação segue minha recomendação: NÃO VÁ! O ideal para passar a virada em Copa (viram como estou íntima) é ter muito dinheiro para gastar com frivolidades e alugar uma cobertura decorada, com infra-estrutura e de preferência com um serviço de buffet incluso para ver a queima de fogos do conforto de um lar. Porque essa sim merece ser vista e é realmente muito bonita (não é sarcasmo), agora o show da Daniela Mercury eu passo. Esteja preparado para gastar aí no mínimo R$ 10.000,00 de aluguel POR DIA para se dar a tal luxo. Como humilde empregada pública e teimosa que sou, fui no chão mesmo, afinal amar as pessoas exige de nós algum sacrifício e esse fiz por duas das pessoas que mais amo no mundo: meu pai e meu cônjuge.

Retomando: após a belíssima queima de fogos e a apresentação de um logotipo de gosto duvidoso que será símbolo das olimpíadas no Rio. Decidimos que estava na hora de voltar para casa. Nós e metade da torcida do Flamengo tivemos a mesma ideia, o que culminou em um tumulto enorme na entrada do metrô. As pessoas estavam entrando na estação em lotes. Pacientemente aguardamos até a nossa vez. Uma vez dentro da estação o tumulto se dissipou e caminhamos em direção à plataforma de embarque com tranquilidade.

Entra a música de suspense: Meu olhar perdido à frente recaiu sobre um rosto conhecido, radiante, serelepe, cabelos soltos sobre os ombros, os olhos iluminados pela purpurina da maquiagem, calça jeans branca e regata comprada no Saara com os dizeres: Feliz 2011! com a imagem do Cristo ao fundo. Sim, queridos, meus olhos naquele momento dentro da estação do metrô avistaram alguém que eu gostaria muito de ter visto em minha casa há um dia atrás. A própria, mãe dedicada e zelosa, minha empregada doméstica descendo as escadas para a plataforma e acompanhada de quem? Seu digníssimo esposo e seu sempre adoentado FILHO! Naquele momento, todo meu remorso e preocupação a respeito do assunto exaustivamente apresentado aqui simplesmente desapareceram!

Chamei a mocinha pelo nome em voz consideravelmente alta e ela se virou. Fitou-me os olhos arregalados e pude perceber que naquele instante que o sangue sumiu de seu corpo! Empalideceu e esboçou um sorriso não muito franco.

A sequência de eventos que seguiram a partir daí não deve ser surpresa a ninguém! Na mesma hora pedi que ela comparecesse à minha casa na segunda-feira para que pudéssemos acertar as contas. E assim foi.

Meu ano começou muito bem, afinal já nas primeiras horas do ano libertei-me de um problema que incomodava há tempos e ainda por cima sem qualquer culpa ou peso na consciência.

Já ela, infelizmente, entrou para estatística de desemprego de 2011! E para ela, neste dia, a noite foi foda!

A todos que leem estas palavras, meus sinceros desejos de um Feliz Ano Novo, que no balanço final o ano de 2011 seja marcado por mais comemorações do que decepções.

Fica a dica: quando mentir para seu chefe e matar o serviço, garanta que não há qualquer possibilidade de que vocês se encontrem (lembre-se estatísticas não servem, afinal qual era a probabilidade de encontrar uma funcionária mentirosa em meio a mais de 2 milhões de pessoas?).